A experiência do contato

A experiência do contato

É como se eu fosse vermelho e ele amarelo, eu só queria que de vez em quando virássemos laranja e depois voltássemos a ser vermelho e amarelo e assim por diante.

Stela

A frase em epígrafe, dita e repetida por Stela (nome fictício) durante a terapia, nos oferece pistas para a compreensão de seu sofrimento e desejo de estabelecer uma relação de encontro pleno. Sente-se solitária e frustrada em suas tentativas de interação e de intimidade. Stela aparece aqui como um exemplo que se repete em nossos consultórios e que parece se multiplicar, nos levando a buscar compreender como as pessoas estão fazendo contato.

Antes de começarmos a explorar este tema, torna-se importante apontar que na literatura da Gestalt-Terapia existem muitas formas de se olhar para o contato e suas interrupções. Os próprios modos de pensar essa dinâmica têm uma função mais didática do que representativa da realidade e a intenção da teoria ao falar dos tipos de interrupção não é a de criar uma grade teórica na qual devemos encaixar todos os indivíduos. Trata-se de uma “concepção para manter [o terapeuta] orientado, para saber em que direção olhar. É o hábito adquirido, o pano de fundo para esta arte, como qualquer outra” (Perls, Hefferline & Goodman, 1951/1997, p. 249).

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